Governo estuda vacinar
homens contra HPV
O
HPV (papilomavírus humano) é a doença sexualmente
transmissível mais freqüente no mundo. Ele está ligado a praticamente 100% dos
casos de câncer de colo de útero (o segundo que mais afeta as mulheres, atrás
somente dos casos de câncer de mama), e a pelo menos metade dos diagnósticos de
câncer de pênis. Por conta dessa grande
incidência, o Ministério da Saúde estuda disponibilizar essa vacina também para
o público masculino.
Diversas
pesquisas já foram elaboradas sobre o assunto. Algumas contestam a eficácia da vacina
somente em mulheres, como um estudo holandês publicado em 2011, pela PLoS Medicine. Outras afirmam que a
vacinação masculina ajudaria a diminuir a circulação do vírus e as doenças relacionadas a ele, como descrito pelo professor Jeremy D. Goldhaber-Fiebert, da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos.
Aqui
no Brasil, segundo país com o maior número de casos de câncer de pênis no
mundo, devido à grande incidência de verrugas – de 5 a 11 casos para cada 100
mil habitantes, cerca de 30 milhões de pessoa -, essa medida ainda está sendo
estudada. O Ministério da Saúde disponibiliza essa vacina na rede pública apenas
para meninas entre 9 e 13 anos.
Para
os homens, essa vacina é encontrada apenas na rede particular e seu alto custo,
cerca de R$ 400 a dose, que precisa ser aplicada três vezes, é o principal problema
para torná-la gratuita e ao alcance de todos. “Sem dúvida reduziria bastante o
número de casos cancerígenos, porém é preciso analisar o impacto financeiro e
como seria implantada essa estratégia, pois essa vacina é cara”, diz o médico
infectologista do Hospital Santo Amaro, Dr. Hermano de Mattos Boechat Poubel.
Entretanto,
segundo ele, essa vacinação não resolveria todos os problemas. “Uma medida
dessa pode causar uma falsa sensação de segurança. A vacina previne contra
o HPV genital, porém a pessoa pode acabar contraindo outras doenças, como
a AIDS e a Sífilis, por exemplo, ou até mesmo o HPV nas regiões próximas aos
genitais”, explica.
O
governo brasileiro ainda estuda qual tipo de vacina utilizar em sua rede
pública, a bivalente ou a quadrivalente, que depende
do custo-benefício de ambas. A primeira cria anticorpos somente para os vírus do
câncer, enquanto a outra previne também contra os causadores das verrugas
genitais. E essa medicação protege contra 70% dos casos de câncer de colo de
útero.